O que é PLASMA?

Nos últimos 75 anos, a grande maioria das televisões foi fabricada com a mesma tecnologia: o tubo de raios catódicos (CRT). Na televisão CRT, um canhão libera um feixe de elétrons (partículas de carga negativa) dentro de um grande tubo de vidro. Os elétrons excitam os átomos de fósforo ao longo da larga extremidade do tubo (a tela), o que faz com que os átomos brilhem. A imagem da televisão é produzida pelo brilho nas diferentes áreas da camada de fósforo, com diferentes intensidades de cores

tela de plasma da sony
Imagem cedida pela Sony
Tela de plasma da Sony

Os tubos de raios catódicos produzem imagens nítidas e vibrantes, mas têm uma séria desvantagem: são muito volumosos. Para aumentar o tamanho da tela do aparelho com CRT, você precisa aumentar também o comprimento do tubo, dando espaço ao canhão de elétrons para que alcance todas as partes da tela. Conseqüentemente, qualquer televisão CRT grande vai pesar muito e ocupar um espaço razoável da sala.

Há alguns anos,  surgiu uma nova alternativa : a tela plana de plasma. Essas televisões têm telas maiores à dos aparelhos CRT, mas com apenas 15 cm de espessura.

A idéia básica do aparelho de televisão ou monitor padrão é que: com base na informação de um sinal de vídeo, a televisão acende milhares de pequenos pontos – chamados pixels (em inglês) – com um fluxo de alta potência de elétrons. Na maioria dos sistemas, há três cores de pixel – vermelho, verde e azul – que são uniformemente distribuídos na tela. Com a combinação dessas três cores em diferentes proporções, a televisão pode produzir todo o espectro de cores.

A idéia básica da tela de plasma é fazer brilhar pequenas e coloridas luzes fluorescentes para formar a imagem. Cada pixel é feito de três luzes fluorescentes: uma vermelha, uma verde e uma azul. Da mesma forma que a televisão com CRT, a tela de plasma varia a intensidade das diferentes luzes para produzir toda a gama de cores.

SintonizandoMuitas telas de plasma não são tecnicamente televisores porque não têm um sintonizador de televisão. O sintonizador é um aparelho que capta o sinal televisivo que vem, por exemplo, de umcabo e o interpreta para criar uma imagem de vídeo.Como os monitores de LCD, as telas de plasma são apenas monitores que possibilitam a apresentação de sinais padrão de vídeo. Para assistir televisão numa tela de plasma, você precisa conectá-la a uma unidade separada que tenha um sintonizador de televisão, como um video cassete.

O que é plasma?

Os principais elementos de uma luz fluorescente são o plasma, um gás formado de partículas livres e fluidas, os íons (átomos com carga elétrica) e elétrons (partículas com carga negativa). Sob condições normais, um gás possui partículas sem carga elétrica. Isto é, os átomos do gás têm o mesmo número de elétrons e prótons, que são partículas de carga positiva do núcleo dos átomos. Os elétrons com carga negativa estão em perfeito equilíbrio com os prótons, de carga positiva. Assim, o átomo tem uma carga líquida igual a zero.

Se você introduzir muitos elétrons livres em um gás, estabelecendo uma voltagem através dele, a situação muda rapidamente. Os elétrons livres vão colidir com os átomos, libertando outros elétrons. Com a falta de um elétron, o átomo perde seu equilíbrio e fica com carga positiva, transformando-se em íon.

Com uma corrente elétrica percorrendo o plasma, as partículas de carga negativa vão correr para a área carregada de carga positiva do plasma, obrigando as partículas positivas a correrem para a área carregada negativamente.

Ilustração de como os átomos emitem luz

Nessa corrida louca, as partículas estão constantemente colidindo umas com as outras. Essas colisões estimulam os átomos de gás do plasma, fazendo com que liberem fótons de energia.

Os átomos de xenônio e de neônio usados nas telas de plasma liberam fótons de luz quando são estimulados. Em sua maioria, esses átomos liberam fótons de luz ultravioleta, que são invisíveis ao olho humano. Mas os fótons ultravioletas podem ser usados para estimular fótons de luz visíveis, como explica o post a seguir.

Como funciona a tela de plasma

Dentro da tela
O gases xenônio e neônio presentes em uma televisão de plasma estão contidos em centenas de milhares de células minúsculas, posicionadas entre duas placas de vidro. Eletrodos extensos também são colocados entre as placas de vidro, em ambos os lados das células. Os eletrodos emissores ficam atrás das células, ao longo da placa traseira de vidro. Os eletrodos de exposição transparentes, que são envolvidos por uma camada isolante de material dielétrico e cobertos por uma camada protetora de óxido de magnésio, são colocados sobre as células ao longo da placa de vidro dianteira.
descarga de superfície em uma tela de plasma

Os dois arranjos de eletrodos se estendem através da tela inteira. Os eletrodos de exposição são arranjados em filas horizontais ao longo da tela e os eletrodos emissores são arranjados em colunas verticais. Como você vê no diagrama abaixo, os eletrodos verticais e horizontais formam uma grade básica.

grade básica de plasma

Para ionizar o gás de uma célula em particular, o computador de uma tela de plasma carrega os eletrodos que se cruzam nessa célula. Isso é feito centenas de vezes em uma pequena fração de segundo, carregando uma célula de cada vez.

Quando os eletrodos que se cruzam são carregados com voltagem diferente entre eles, uma corrente elétrica percorre o gás nas células. Como vimos na seção anterior, a corrente cria um fluxo rápido de partículas carregadas, que estimula os átomos de gás para liberarem irradiação de fótons ultravioleta.

Os fótons ultravioletas liberados interagem com o material fosfórico que reveste a parede interior da célula. O fósforo é uma substância que emite luz quando exposta a outra luz. Quando um fóton ultravioleta atinge um átomo de fósforo na célula, um dos elétrons do fósforo passa para um nível de energia maior e o átomo esquenta. Quando o elétron volta ao nível normal, ele libera energia em forma de fóton de luz visível.

Na tela de plasma, o fósforo emite luz colorida quando é estimulado. Cadapixel é feito de três células subpixel individuais de cores diferentes. Um subpixel tem luz fosfórica vermelha, o outro tem luz fosfórica verde e o outro luz fosfórica azul. Essas cores, quando misturadas, criam toda a gama de cores de um pixel.

Pela variação dos pulsos de corrente através das diferentes células, o sistema de controle pode aumentar ou diminuir a intensidade de cor de cada subpixel, criando centenas de combinações diferentes de vermelho, verde e azul. Dessa forma, o sistema de controle pode produzir todas as cores do espectro.

A principal vantagem da tecnologia da tela de plasma é que você pode produzir uma tela muito grande, usando materiais extremamente pequenos. Como cada pixel é iluminado individualmente, a imagem é muito brilhante e pode ser vista com nitidez de quase todos os ângulos.

O que existia antes do Big Bang?

Redação do Site Inovação Tecnológica – 05/01/2009

O que existia antes do Big Bang?

NASA/WMAP[Imagem: Mapa da radiação cósmica de fundo]

“Já não é mais completamente maluco perguntar o que aconteceu antes do Big Bang.” A afirmação é de Marc Kamionkowski, coordenador de um grupo de astrofísicos de uma das principais universidades dos Estados Unidos, a Caltech.

O que existia antes do Big Bang?

Até agora acreditava-se que a violenta expansão que deu origem ao nosso universo foi forte o suficiente para eliminar qualquer traço do que existia antes. Mas uma nova interpretação de registros dos primeiros instantes após o Big Bang pode lançar alguma luz sobre o que existia antes e o que fez com que espaço e tempo inflassem, aumentando continuamente as distâncias físicas entre quaisquer pontos participantes desse movimento inflacionário.

A nova teoria procura explicar as “anomalias” verificadas nos dados, que mostram variações no que deveria ser uma distribuição perfeitamente uniforme da radiação e da matéria no Universo.

Inflação cósmica

A teoria atual baseia-se em um fenômeno chamado inflação cósmica, que propõe que o espaço expandiu-se exponencialmente no instante seguinte ao Big Bang. O problema é que isso resultaria em um universo perfeitamente uniforme. E todas as observações indicam que há variações gigantescas entre as diversas regiões do Universo.

Radiação cósmica de fundo

Além disso, os cientistas detectaram uma anomalia nos dados da Radiação Cósmica de Fundo (CMB, na sigla em inglês), uma radiação na faixa das microondas que inundou o Universo 400.000 anos depois do Big Bang.

A CMB é uma espécie de brilho do Big Bang, que decaiu para microondas à medida que o Universo se expandia ao longo dos 13,7 bilhões de anos que se seguiram desde o seu surgimento. Se nossos olhos conseguissem enxergar essa faixa das radiofreqüências, nós veríamos um céu inteiramente brilhante.

Anomalia com certificado

Dados da sonda espacial WMAP (Wilkinson Microwave Anisotropy Probe), da NASA, mostram que a amplitude nas flutuações da CMB, que seria consistente com o modelo da inflação espacial, na verdade não é a mesma em todas as direções.

“É uma anomalia adequadamente certificada,” explica Kamionkowski. “Mas como a inflação cósmica parece lidar bem com tudo o mais, parece prematuro descartar a teoria.” Com isso, os pesquisadores inseriram a assimetria verificada nos dados no cerne da própria teoria da inflação cósmica.

Inflaton e curvaton

Até agora haviam sido propostos dois novos tipos de campos de energia como sendo os motores da inflação do Universo. O primeiro, chamado de inflaton, não passou nos testes da nova teoria. Mas a coisa funcionou com o segundo campo, chamado curvaton, que havia sido proposto anteriormente para explicar as flutuações observadas na CMB.

Variações no campo curvaton afetam apenas como a temperatura varia de um lugar para outro no Universo, mas mantém seu valor médio, mantendo a consistência do modelo da inflação cósmica. O novo modelo prevê que há uma maior quantidade de pontos frios do que de pontos quentes no CMB.

A nova teoria poderá ser testada já em 2009, utilizando a sonda espacial Planck, uma missão internacional coordenada pela Agência Espacial Européia, que deverá ser lançada em Abril do próximo ano.

Levantando o véu do Big Bang

A “perturbação” que os físicos introduziram no valor do curvaton ofereceu um ganho adicional: ela oferece o primeiro vislumbre sobre o que existia antes do Big Bang.

Isso porque a perturbação pode ser a resultante de um efeito herdado da época antes do início da inflação cósmica.

“Em termos observacionais, tudo isto está escondido por um véu,” afirma Kamionkowski. “Se nosso modelo se sustentar, nós teremos a primeira chance de olhar além desse véu.”

Bibliografia:

A hemispherical power asymmetry from inflation
Adrienne L. Erickcek, Marc Kamionkowski, Sean M. Carroll
Physical Review D
December 2008
Vol.: 78, 123520
DOI: 10.1103/PhysRevD.78.123520

Endeavour levará ao espaço um caçador de anti-universo

Marc-Andre Miserez, da Swissinfo – 29/04/2011

Endeavour levará ao espaço um caçador de anti-universo

AMS-02 – Espectrômetro Magnético Alfa, um detector de partículas cósmicas cujo principal objetivo é encontrar indícios da antimatéria.[Imagem: MIT]

Quando o ônibus espacial Endeavour decolar para sua última viagem, ele estará levando ao espaço um dos experimentos científicos mais esperados de todos os tempos.

Espectrômetro Magnético Alfa – ou AMS (Alpha Magnetic Spectrometer) vai tentar descobrir se a antimatéria e a matéria escura se escondem perto da Terra.

O observatório vai verificar sistematicamente os raios cósmicos em busca do anti-universo, um universo formado por antimatéria, antimatéria que deveria ter sido criada pelo Big Bang na mesma proporção que a matéria ordinária.

Detector de antimatéria

Com nada menos do que 16 nacionalidades, o detector de antimatéria chama-se na verdade AMS-02 – o que indica que este é o segundo de sua espécie.

Já em 1998, o AMS-01, que foi embarcado na última viagem do ônibus espacial Discovery à estação russa Mir, fornecia em apenas nove dias uma porção de dados sobre as partículas que constituem os raios cósmicos, que bombardeiam constantemente a Terra vindo do espaço interestelar.

O objetivo na época era mostrar principalmente que o aparelho era capaz de resistir às difíceis condições do lançamento e da viagem no espaço.

O AMS-02 deve operar dez anos ou mais. Os cientistas o chamam de “Telescópio Hubble dos raios cósmicos”.

Para detectar esses raios, oriundos do Sol, mas também de estrelas próximas ou de explosões de supernovas das profundezas do Universo, precisamos nos livrar do filtro constituído pela atmosfera terrestre. A 300 quilômetros da terra firme, a Estação Espacial Internacional, que gira mais de 15 vezes em torno da Terra em 24 horas, é o ponto ideal de instalação.

O coração do AMS é um grande ímã cilíndrico, com um furo no seu centro, uma espécie de donut gigante, que será usado para separar as partículas de raios cósmicos pela sua carga elétrica. Uma série de sensores ligados a mais de 600 computadores de bordo fará a análise dos dados.

Antipartículas

“Vamos poder fazer um mapeamento completo da radiação da Terra: composição química, variações temporais, variações espaciais… em 100 anos que conhecemos os raios cósmicos, esta é a primeira vez que teremos tantos dados sobre o fenômeno,” entusiasma-se Martin Pohl, membro da direção do projeto AMS-02 e responsável da área de física da Universidade de Genebra, na Suíça, que desempenhou um papel central na concepção e na construção do detector de trajetórias de partículas.

Além das partículas-padrão, o espectrômetro deve também capturar antiprótons e pósitrons, os componentes básicos da antimatéria.

O AMS-01 já havia encontrado esses componentes, mas em quantidades tão pequenas que podiam muito bem ter sido gerados ao longo dos 13 bilhões de anos da história do Universo, por meio da colisão de partículas. Neste caso, eles não têm praticamente nenhuma chance de se unir para formar átomos.

Endeavour levará ao espaço um caçador de anti-universo

O Espectrômetro Magnético Alfa instalado no compartimento de carga do ônibus espacial Endeavour. [Imagem: Michele Famiglietti/AMS-02 Collaboration]

Antiestrelas

No entanto, o que interessa aos físicos é a antimatéria original, a do início dos tempos. E normalmente ela deve ser encontrada na forma de átomos, pelo menos um dos dois elementos químicos mais simples: o hidrogênio e o hélio.

“O AMS-01 não encontrou nenhum anti-hélio em um milhão de átomos. Se o AMS-02 não encontrar nada em um bilhão, teremos que parar nossa busca,” explica Martin Pohl. “Mas se a gente achar alguma coisa, isto significa que há pequenos bolsões de antimatéria que sobreviveram ao Big Bang”.

E se, além disso, os detectores descobrirem átomos mais pesados, como o do anticarbono, e sabendo que esses itens só podem ser forjados no centro das estrelas, isso significaria que existem, em algum lugar, antiestrelas. Uma hipótese que o físico acha “ainda mais fascinante … e muito mais improvável”.

Mais forte do que o LHC

Quanto à matéria escura, se o componente de base dela for uma partícula, o AMS-02 vai acabar encontrando-a. Eventualmente junto com outras esquisitices, como estados ainda desconhecidos da matéria.

Na verdade, este espectrômetro espacial é perfeitamente complementar ao LHC, o enorme acelerador de partículas do CERN (Centro Europeu de Pesquisa Nuclear).

No Grande Colisor de Hádrons, são recriadas partículas – no espaço elas são observadas em seu ambiente natural. Com a vantagem notável de que, no espaço, as partículas atingem energias ainda fora do alcance do maior acelerador construído na Terra.

O CERN está, portanto, profundamente associado ao projeto. Ele realizou os testes dos detectores do AMS-02 e irá processar os dados transmitidos do espaço enquanto espera acolher, em um novo edifício, o centro de controle do experimento.

Dedos cruzados

Tudo isso, é claro, desde que dê tudo certo com o lançamento e a acoplagem na Estação Espacial Internacional, onde o AMS-02 ficará instalado, como se fosse mais um módulo.

O AMS-02 faz parte da carga do ônibus espacial Endeavour, que fará seu último voo na tarde desta sexta-feira.

Enquanto o Discovery já está a caminho do museu, só fica faltando no programa uma missão do Atlantis. Depois disso, na pendência das futuras naves americanas, só as naves russas Soyuz continuarão servindo de táxi para os passageiros da Estação Espacial.

As cargas, por sua vez poderão ser levadas pelas naves automáticas europeia e japonesa.

Endeavour levará ao espaço um caçador de anti-universo

Concepção artística do AMS já instalado na Estação Espacial Internacional. [Imagem: NASA]

Antimatéria

A antimatéria é a matéria com carga elétrica invertida.

Os átomos são feitos de prótons (+) e elétrons (-), enquanto os antiátomos são feitos de antiprótons (-) e de elétrons positivos ou pósitrons (+).

Colocadas na presença uma da outra, uma partícula e sua antipartícula se aniquilam, gerando alta energia.

Big Bang

O Big Bang, ao contrário, foi a criação gigantesca de matéria da energia, que produziu quantidades iguais de matéria e antimatéria.

Mas essas partículas não se aniquilaram todas mutuamente (caso contrário, nada existiria) e a antimatéria parece ter desaparecido quase por completo, antes mesmo de ter tempo de se organizar em átomos.

O mecanismo pelo qual a natureza tenha manifestado essa “preferência pela matéria” permanece desconhecido.

Matéria escura

Ao observar as galáxias, vemos que elas giram bem mais rápido do que deveriam de acordo com a massa visível e as leis da gravidade.

Parte da massa delas é formada por algo que não reflete a luz. Trata-se mais provavelmente de partículas ainda desconhecidas.

Hoje estima-se que a matéria visível só forma cerca de 4% da massa do universo. O resto é matéria e energia escura.

Energia escura

É a força que faz que, ao invés de frear, o movimento do Universo se acelere.

É uma espécie de antigravidade, sobre a qual a ciência ainda não tem nenhuma teoria convincente.

No entanto, ela não pertence às áreas de pesquisa do AMS 02.

CERN minimiza boatos sobre descoberta do bóson de Higgs

Físico compara vazamento de comunicado preliminar sobre o LHC à publicação de documentos governamentais pelo WikiLeaks

iG São Paulo | 26/04/2011 15:11 – Atualizada às 16:37

Foto: AFP

Cientista observa resultados de experimentos realizados no LHC

Funcionários do maior laboratório de física do mundo buscaram pôr em perspectiva o vazamento de um memorando com alegações de que uma grande descoberta – a do bóson de Higgs, a partícula que seria responsável por dar massa à matéria – teria sido feita.

Um porta-voz do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear, o CERN, diz que a observação anotada pelos cientistas que trabalham no Grande Colisor de Hádrons (LHC) “provavelmente não é nada”.

Uma nota breve, publicada anonimamente num blog de física da Universidade de Columbia na semana passada, alega que algumas medições inesperadas vindas de uma colisão de partículas de alta energia marcam “a primeira observação definitiva de Física além do Modelo Padrão”.

“Modelo Padrão” é o nome dado ao conjunto de teorias que atualmente sustentam a física de partículas. A busca de fenômenos que estejam além do alcance dessas teorias é um dos principais objetivos do LHC.

O porta-voz James Gillies disse que resultados aparentemente impressionantes aparecem com frequência, mas também com frequência acabam descartados após alguma análise.

“A nota com certeza é genuína”, disse ele, mas acrescentou que memorandos assim são apenas a primeira etapa num processo rigoroso de revisão.

“O Higgs é realmente o Santo Graal da Física de partículas”, disse Philip F. Schewe, porta-voz do Instituto de Física dos EUA.

“É incomum que material assim, tão detalhado e específico, venha a público”, reconheceu Peter Woit, físico em cujo blog o memorando apareceu.

Ele disse ter optado por manter a postagem no ar porque ela já havia atraído dezenas de comentários quando finalmente a viu. “Era informação precisa, e do interesse dos leitores de meu blog”, explicou.

Embora anônima, a nota trazia o nome de quatro cientistas que trabalham no Atlas, um dos instrumentos de detecção de partículas do LHC.

Os autores citados na nota preferiram não falar com a imprensa, mas Jon Butterworth, físico britânico que também trabalha com o Atlas, disse que o vazamento do memorando foi uma infelicidade. “É uma comunicação bem exagerada”, disse ele, acrescentando que cerca de 30 notas do tipo circulam entre os cientistas do Atlas a cada semana. Poucas chegam a ser oficialmente publicadas em periódicos científicos.

Schewe comparou o vazamento do memorando às publicações de documentos secretos pelo WikiLeaks. “É meio embaraçoso, mas no longo prazo não é tão ruim”, definiu.

(com informações da AP)

Fermilab pode ter encontrado nova partícula ou força da natureza

Prestes a ser desativado, Tevatron dá sinais de ter feito uma descoberta que, se confirmada, pode revolucionar a física

The New York Times | 06/04/2011 16:00

Foto: Fermilab/Divulgação

Sala de controle do acelerador de partículas Tevatron

Físicos do Laboratório Nacional Fermi, o Fermilab, dos EUA, anunciam nesta quarta-feira a descoberta de um sinal suspeito em seus dados, que pode ser prova da existência de uma nova partícula elementar ou, mesmo, de uma nova força da natureza.

Os resultados, caso se sustentem, poderão representar um espetacular último adeus para o Tevatron, que já foi um dos mais potentes aceleradores de partículas do mundo, mas que deverá ser desativado em definitivo até setembro, quando termina a verba do Fermilab para operá-lo.

“Ninguém sabe o que é”, disse Christopher Hill, um físico teórico do Fermilab que não faz parte da equipe que pretende anunciar a descoberta. “Se for real, será a descoberta mais importante da física no último meio século”.

Uma possível explicação para o sinal misterioso, dizem os cientistas, é que seja prova de uma nova e inesperada versão do bóson de Higgs, uma partícula buscada há tempos. Essa é uma partícula elementar hipotética que, de acordo com a teoria dominante conhecida como Modelo Padrão, é responsável por dotar outras partículas elementares com massa.

Outra explicação é que seja evidência de uma nova força da natureza – em adição à gravidade, eletromagnetismo e às duas forças nucleares, a forte e a fraca que já conhecemos e que nos espantam – que se manifestaria apenas em distâncias muito curtas, como as do interior do núcleo atômico.

Qualquer uma dessas possibilidades poderá abalar o que vinha passando como sabedoria convencional na física nas últimas décadas, Ou pode ser que haja algo na física convencional que os cientistas ainda não entendem bem.

Giovanni Punzi, o físico que atua como porta-voz do grupo que fez os experimentos, disse por email que ele e seus colegas estão “muito entusiasmados com a possibilidade, e cautelosos ao mesmo tempo, porque isso seria tão importante que assusta – então pensamos em todas as explicações alternativas”.

Físicos de fora do círculo do Fermilab dizem ver os resultados, que vêm sendo discutidos informalmente há meses, com uma mistura de espanto e ceticismo.

“Se se sustentar, é grande”, disse Neal Weiner, físico teórico da Universidade de Nova York. Lisa Randall, teórica de Harvard, disse a mesma coisa: “É definitivamente interessante, se for real”.

Mas Nima Arkani-Hamed, do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, disse que não acha o sinal convincente, afirmando que pode ser um efeito espúrio, gerado pela forma como os dados foram analisados.

O importante, disse ele, é que se essa e outras anomalias recentemente informadas pelo Tevatron forem reais, então o Grande Colisor de Hádrons, o LHC, uma máquina rival controlada pelo Centro europeu de Pesquisas Nucleares (Cern) “verá provas dramáticas dentro de pouco tempo – isso é certamente o que esperamos”.

A frase essencial é, todos concordam, “se se sustentar”. Os autores dos experimentos estimam que há uma chance de menos de um quarto de 1% de que o sinal seja uma flutuação estatística, o que faz dele o que os pesquisadores chama de um resultado três-sigma, o suficiente para chamar atençã, mas não o suficiente para que se reivindique a autoria de uma nova descoberta. Sinais três-sigma, sabem os físicos, podem ir e vir.

O Tevatron vem colidindo feixes de prótons e de seus opostos, antiprótons, acelerados a energias de 1 trilhão de elétron-volts, por mais de duas décadas, em busca de novas forças e partículas. O sinal apareceu na análise de cerca de 10.000 colisões registradas pelo Detector Colisor do Fermilab, um dos dois detectores da instalação, que fica nos arredores de Chicago.

Os cientistas descobriram que, em cerca de 250 casos além do esperado, o que surgiu das colisões foram jatos de partículas leves, como elétrons, e uma pesada partícula portadora de força, o bóson W, era produzida.

Eles descobriram que, 250 vezes mais que o esperado, a energia total dos jatos ficava em torno de um valor de 144 bilhões de elétron-volts, como se fossem o produto do decaimento de uma partícula desconhecida com massa equivalente a esse nível de energia.

Este não poderia ser o bóson de Higgs do Modelo Padrão, concluem Ponzi e seus colegas, porque a previsão é de que o Higgs decaia em partículas muito mais pesadas. Além disso, a taxa de produção dessas partículas misteriosas era 300 vezes maior que a esperada para o Higgs.

Se for real, é algo totalmente novo, disse Punzi. O resultado foi fortalecido, disse ele, por novos cálculos de interações entre quarks. “É tão novo e espantoso, mesmo nós mal podemos acreditar”, disse ele. “Decidimos deixar o mundo todo saber”.

Punzi e colegas apresentaram um artigo que deveria ter sido publicado online na noite de terça-feira, e que foi oferecido ao periódico Physical Review Letters.

Joe Lykken, um teórico do Fermilab, disse que o grupo de Punzi tem já quatro vezes mais dados em análise do que no ano passado. “Isso seria o bastante para reivindicar uma descoberta importante”, escreveu ele num email, “bem quando o Tevatron, e talvez o Fermilab, está sendo desativado para poupar no orçamento”.

O SOL PODE ESFRIAR UM DIA?

NUM PERÍODO DE ATÉ 7,5 BILHÕES DE ANOS O SOL DEVE ESFRIAR

Pode parecer estranho, mas a resposta para essa questão é sim, o sol vai esfriar um dia. O destino do nosso astro-rei, assim como o de qualquer estrela, já está traçado: fatalmente ele vai “morrer“.

A boa notícia é que nenhum de nós vai estar aqui para ver isso acontecer, já que o processo pode demorar até 7,5 bilhões de anos.

Antes de “morrer”, porém, o Sol vai passar por outros estágios – e vai inclusive aumentar de tamanho, o que será fatal para a Terra em muito menos tempo: “apenas” 1,5 bilhão de anos.

Nos últimos 4,5 bilhões de anos, o Sol estáem uma fase estável e vem trabalhando como um grande reator que vem transformando o hidrogênio em hélio em seu núcleo. Quando este hidrogênio terminar ,em cerca de 1,5 bilhão de anos, o Sol começará a “queimar” suas reservas de hélio. Neste período, aumentará de temperatura, e as camadas exteriores irão se expandir.

A expansão provavelmente engolirá Mercúrio e Vênus – e possivelmente até a Terra. Mesmo se nosso planeta modificar sua órbita e se livrar de ser engolido, o que restar será totalmente modificado pela mudança de temperatura – e não há chance de haver vida.

“O Sol está consumindo o elemento hidrogênio no seu centro. Consumir, aqui, significa que os núcleos de hidrogênio (H) estão sendo fundido sem núcleos de hélio, o que libera energia. Quando a reserva de hidrogênio se tornar escassa no centro do Sol, ele começará a fundir o material numa camada mais externa ao seu centro. O centro, rico em hélio, quente e denso, não terá reações nucleares. Pela maior produção de energia na camada, e pela sua maior proximidade com a atmosfera do Sol, ela vai aumentar muito de tamanho e vai se esfriar. Essa é a fase de gigante vermelha”, explica o professor do departamento de Astronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Basílio Santiago.

Esta variação de tamanho do Sol deve levar cerca de centenas de milhares de anos, e o seu raio irá se expandir até que o núcleo atinja uma temperatura de 100 milhões de Kelvin, quando uma reação termonuclear começará a transformar hélioem carbono. Quando estareação começar, o Sol se expandirá muito rapidamente para cerca de 1 mil vezes o seu raio atual, que é de 700 milhões de km, ou o equivalente a 100 vezes o raio da Terra.

Depois de alguns anos, ele voltará a ser de cerca de 100 vezes o raio atual, permanecendo assim por cerca de 1 bilhão de anos, até o fim de sua fase de gigante vermelha. Aí, enfim, o Sol vai começar a esfriar.

Segundo Santiago, quando o hélio se esgotar no centro, agora ricoem carbono e oxigênio, o Sol vai começar a queimá-lo numa camada mais externa. Nesta fase, ele também vai perder muita massa. Quando não tiver mais hélio para queimarem nenhuma das camadas, as reações nucleares de fusão no Sol vão acabar.

“Aí, o que vai sobrar é uma região muito densa, quente e ricaem carbono e oxigênio, e com um pouco de hélio e hidrogênio residual. A partir daí, será uma anã branca. Sem reações nucleares, esse objeto vai perder energia na forma de luz emitida e, como resultado, vai se resfriar com o tempo”, diz o astrônomo.

Santiago, porém, faz questão de ressaltar que vê todo o processo com naturalidade. “O Sol só vai começar a fundir hélio daqui a uns 5 bilhões de anos, no final da fase de gigante vermelha. Mas é verdade que ele vai lentamente aumentar de luminosidade antes disso, o que vai levar ao aquecimento da Terra a ponto de tornar a vida impossível. Isso deve acontecer em 1,5 bilhão de anos aproximadamente. Pessoalmente não vejo como uma tragédia. Assim é a natureza. Todas as coisas evoluem, têm início, meio e fim“, afirma.

Japão iguala acidente nuclear ao mesmo grau de Chernobyl

 

11 de abril de 2011 • 21h29 • atualizado às 22h03

O Japão decidiu elevar de 5 para 7 o nível do acidente nuclear em Fukushima, o que o coloca no grau máximo e no mesmo patamar da catástrofe de Chernobyl, revela nesta terça-feira a imprensa japonesa. A importância do problema em um sítio nuclear é avaliada pela escala Ines, na qual o nível 0 corresponde à ausência de anomalia e o nível 7, o mais elevado, a um acidente de importância maior, como o que ocorreu na usina ucraniana de Chernobyl, em 1986. O nível 7 atribuído a Fukushima significa uma emissão “maior de material radioativo”, com “efeitos consideráveis sobre a saúde e o meio ambiente”.

por Prof Helma- Física Postado em Notícias